História de Superação – Recomeçando a vida aos 40 anos

Vinte e quatro cirurgias em 4 anos. Conheça a história de Paula Lacerda, que sobreviveu a uma doença considerada incurável pela medicina. Se a vida começa aos 40 anos, como diz o ditado popular, então a de Paula Lacerda está literalmente começando. Prestes a completar 4 décadas de vida, ela ficou muito tempo internada, passando por cirurgias e sofrendo as mais diversas dores físicas.

“Vi a minha vida mudar desde pequena. Minha mãe faleceu quando eu tinha 14 anos de idade. Três meses depois, meu pai se casou com outra mulher e a minha vida virou um inferno”, diz.

Para fugir daquela situação, Paula se casou aos15 anos e logo veio o primeiro filho. “Eu era uma menina ainda, mas tinha um ótimo marido e apesar das dificuldades financeiras tinha um lar e queria que a minha família fosse perfeita”. E tudo corria bem, até que aos 18 anos ela passou a ter desmaios e convulsões.

“Fui ao médico e fiz vários exames, mas nada foi constatado, mesmo assim eu tomava remédios para convulsões”. Aos 22 anos ela descobriu que estava grávida de uma menina, que nasceu forte e saudável.

“Meu filho mais velho já estava com 5 anos e a minha filha com 4 meses de idade quando voltei a ter um desmaio e fiquei mais de meia hora desacordada. Fui internada e depois de vários exames os médicos chegaram a um diagnóstico: eu tinha lúpus.”

O que é lúpus?

Lúpus é uma doença autoimune que acomete mais mulheres do que homens, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico. Há vários tipos de lúpus. O de Paula era o mais grave, o LES – Lúpus Erimatoso Sistêmico –, que atingiu seus rins, articulações, vesícula, hérnia e provocou reações na pele.

Amor de mãe

Como se não bastasse a doença, Paula diz que engravidou novamente e não tinha percebido, tampouco os médicos. Por conta dos remédios que tomava, só muito tempo depois perceberam que havia um feto morto em sua barriga. “Esse feto provocou uma infecção e tive que retirar trompas ovários e a infecção desceu para perna. Tive osteomielite crônica, que no meu caso foi devido ao feto morto”.

Por conta do lúpus, ela tinha propensão a infecções mais fortes e começava a partir dali anos de dor, sofrimento e angústia. “Eu sentia dores em todo o corpo e depois na perna. Mas a pior dor era ficar longe dos meus filhos. Quem é mãe sabe o que é ficar longe de um filho. Imagina eu, não podia amamentar o meu bebê, tampouco cuidar deles. Certa vez fiquei 4 meses internada direto, sem ver os meus filhos, por conta da infecção”.

Num período de 4 anos, Paula se submeteu a 24 cirurgias. “ Passei por muitos momentos difíceis. Sentia muita dor e muita falta dos meus filhos. Quando ia para casa, eu sequer podia segurar os meus filhos nos braços”, relata emocionada.

Encontrando forças

Paula diz que em vários momentos achou que fosse morrer, que não tinha mais forças devido às dores que sentia. “Mas quando via a minha filhinha, que parecia uma boneca, eu falava para mim mesma: ‘Tenho que ser forte. Tenho que vencer essa doença. A minha filha precisa de mim. Os meus filhos precisam de mim. Não importa o que dizem, o que importa é que vou sobreviver e vou cuidar deles.’”

E foi assim, com fé e determinação que Paula venceu a dor, os diagnósticos e hoje, faltando alguns dias para completar 40 anos e há 6 anos sem sentir nenhum sintoma do lúpus, ela confessa: “Eu creio em Deus. Tenho fé, força de vontade e só agradeço por estar viva. Quando lembro de tudo o que passei, as dores que senti, vejo que realmente foi uma superação e um milagre eu estar viva e sem nenhuma sequela. Apesar das cicatrizes nas pernas e em outras partes do corpo, por tantas cirurgias, a minha alma está livre, está feliz, porque eu estou viva.”

Por Elliana Garcia Arca Universal/ Profetico