O preço da pornografia, seus efeitos na sociedade

Instituto norte-americano divulga que o consumo de material pornográfico faz com que a sociedade pague um alto preço, alerta para os perigos e critica os que acham a prática normal e inofensiva.

 

O Instituto Witherspoon, centro de pesquisa independente dos Estados Unidos, com o intuito de “melhorar os fundamentos morais em sociedades democráticas” na defesa dos bons costumes, reuniu, há cerca de 2 anos e meio, um seleto grupo de estudiosos na universidade de Princeton, em Nova Jérsei, para analisar os danos sociais do consumo de pornografia por homens, mulheres e crianças. Segundo eles, as consequências são muito mais profundas do que se supõe superficialmente.

Foram convidados representantes de importantes setores da sociedade: médicos, juristas, psicólogos, economistas, educadores, jornalistas e muitas outras especialidades, que investigaram o uso da pornografia em suas dimensões neurológicas, econômicas, sociais, políticas, legais e até mesmo filosóficas. O estudo gerou o documento “Os Custos Sociais da Pornografia: Descobertas e Recomendações”, apresentado em março, em Princeton.

Os pesquisadores se mostraram conscientes de que controvérsias viriam à tona, dada uma posição libertária acerca da pornografia que predomina nos dias atuais. Boa parte da opinião pública vê a pornografia como inofensiva, que pode até ser uma boa forma de expressão sexual e que poderia ajudar nos relacionamentos conjugais. Mas os estudos dos acadêmicos reunidos mostraram que não é bem assim.

O estudo do Witherspoon mostra que a tremenda facilidade de acesso a material pornográfico hoje em dia, principalmente com o advento da internet, acaba por criar um hábito, gerando adeptos. Independentemente do sexo e da idade, todos são afetados. Alguns adultos ainda se surpreendem quando descobrem o quanto crianças e adolescentes consomem material sexual explícito via computadores, televisão por assinatura, locadoras, bancas de revista, telefones celulares e outras fontes. Perversões são vistas apenas como mais uma novidade em busca do prazer.

Segundo o instituto, é provado cientificamente que a pornografia prejudica o relacionamento conjugal, pois a concorrência do real com o virtual é grande, e todas as fantasias podem ser apreciadas no ambiente irreal, ao contrário do verdadeiro. Foi concluído que as mulheres enfrentam novas expectativas de desempenho sexual, sendo que sua vida neste sentido era satisfatória antes. Procuram sempre ultrapassar os limites, e tal expectativa, frustrada, gera mais chances de divórcio, infidelidade e mesmo casamentos infelizes. Crianças são mais inclinadas à violência, agressão e coerção sexual de colegas, e são mais suscetíveis ao assédio sexual por parte de adultos, pois passam a ver com mais “normalidade” certas práticas sem limites da internet, por exemplo. Nos meninos, essa tendência à violência é mais visível. Quanto às meninas, acabam ficando mais inclinadas a tolerar abusos, já que a linha divisória entre o normal e o aceitável é muito tênue nos apreciadores de material pornográfico. A insensibilidade em relação ao próximo é crescente, já que ele é visto somente como objeto de prazer e satisfação de impulsos pervertidos, a exemplo do que acontece na pedofilia e no estupro.

O documento sugere até que a pornografia contribui para o tráfico de seres humanos para exploração sexual, assim como para o aumento da prostituição. Os efeitos nocivos vão muito além dos apreciadores diretos, afetando também pessoas próximas e, indiretamente, em um âmbito mais amplo, a sociedade.

“Os Custos Sociais da Pornografia” mostra os danos, mas também faz recomendações:

– Maior conscientização pela comunidade terapêutica quanto aos danos causados pelo consumo de pornografia, além de mais pesquisas sobre o assunto. O estudo critica especialistas renomados, que alegam, entre outras coisas, que vale tudo pelo prazer;

– Maior atenção por parte dos profissionais da educação sobre os perigos e desafios enfrentados pelos alunos em diversas idades;

– Um envolvimento mais rigoroso da imprensa na investigação à indústria pornográfica;

– Maior rigor do setor empresarial para com o uso da pornografia no ambiente de trabalho, bem como uma conscientização voltada aos funcionários com problemas do tipo;

– Uma “desglamourização” do uso da pornografia na cultura popular e por parte das celebridades;

– Maior engajamento na questão por parte das autoridades em todos os âmbitos. O documento sugere, entre outros tópicos, avisos nos materiais pornográficos quanto ao seu potencial viciante e os danos psicológicos – a exemplo do que foi feito com a indústria de cigarros -, além de dispositivos legais mais específicos quanto ao assunto quando há o envolvimento de menores expostos à pornografia por adultos. A classe médica norte-americana já faz estudos conclusivos, garantindo que a pornografia causa sérios danos psicológicos, incluindo o assunto nos manuais oficiais da profissão.

Fonte: ArcaUniversarl / Profetico