O rumo da Humanidade: Governos, Religião, Ciência e o Reino de Deus

Em cada nova etapa de sua travessia, a humanidade faz suas travessuras. Aos poucos, passamos a enxergar a lei como um fim em si mesmo. A Lei Moral foi cedendo espaço às leis da física. O Universo tornou-se como um relógio, onde leis fixas regem seu funcionamento. Esquecemo-nos do Relojoeiro. A chegada da Era da Razão, com seu paradigma cartesiano, declarou nossa autonomia de Deus. A fé tornou-se obsoleta. A relatividade, antes confinada ao campo da física, agora era aplicada também às questões morais e éticas. Embora neglicenciado por Sua criatura, Deus não a abandonou à própria sorte, mas acompanhou de perto sua chegada à adolescência.

Nessa busca por autonomia, aportamos em mais uma escala de nossa travessia:

O Individualismo.

O velho lema dos mosqueteiros, “Um por todos e todos por um”, foi substituído pelo “Cada um por si…”. A reação ao fato de que o mundo funciona como uma máquina, é o desejo de transcender o papel de mera engranagem. Cada indivíduo passou a se ver como o centro do Universo. Tudo deve funcionar para seu próprio bem, independente do que isso venha proporcionar ao semelhante. Esta é a era do bem-estar. Cada consciência estabelece sua própria escala de valores. O que é certo para um, não é necessariamente certo para o outro, e vice-versa. O importante é sentir-se bem consigo mesmo. É desse narcismo / egocentrismo que emerge a Teologia da Prosperidade, em que as pessoas são estimuladas a buscar sua própria fatia do bolo. Surgem igrejas pra todo gosto, com suas teologias ajustáveis às demandas de uma sociedade individualista e consumista. A mensagem que dizia “negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” foi descartada e em seu lugar impera a mensagem da auto-estima, do amor próprio. Chegamos a um terreno pantanoso em nossa travessia.

Ao ver-nos atolados nesse tremedal, ou mesmo afundando na areia movediça do individualismo, o Espírito de Deus, enviado para guiar-nos em nossa travessia rumo à Terra Prometida, nos introduz à uma nova etapa:

A Honestidade e Avaliação

Somos confrontados com o resultado de nossas próprias escolhas. Em que nos tornamos? Que legado deixaremos para a posteridade? Temos que admitir que nossa civilização está definhando. Produzimos regimes totalitários, ideologias excludentes, escravidão, segregação, destruição do meio-ambiente, exploração econômica, duas Guerras Mundiais, terrorismo, religiões que não sabem co-existir respeitosamente, pornografia, etc. E o pior é que quanto mais tentamos reagir, mais parecemos afundar. Definitivamente, precisamos de ajuda de fora. Temos que voltar ao ponto de partida e descobrir onde erramos como civilização. Chegou a hora de repensar cada uma de nossas posturas, e nos abrir ao diálogo. Ninguém está só. O individualismo é uma farsa. Todos dependemos uns dos outros. E o que afeta ao nosso semelhante, também nos afeta a todos. Se formos, de fato, honestos em nossa avaliação, seremos conduzidos a um estágio de humildade. Teremos que reconhecer que erramos e que precisamos de uma mudança radical. Caso contrário, nos auto-destruiremos.

Reconciliação.

Primeiro, com a fonte primeva da existência, DEUS. Uma vez reconciliados com o Criador, estamos prontos a nos reconciliar com toda a criação, incluindo nossos parceiros de jornada (todos os seres humanos), os seres vivos em sua totalidade (tudo o que tem fôlego), e todas as demais coisas, visíveis e invisíveis. Os profetas hebreus chamavam este estágio de Shalom (Paz).

Foi por isso que o Cordeiro Se deixou imolar antes mesmo da fundação do cosmos. “Foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus” (Cl.1:19-20).

A Terra Prometida que almejamos não é um pedaço de chão em algum lugar do Universo, mas o Universo como um todo, concebido por uma consciência renovada pelo Espírito de Deus. Ao fim de nossa travessia, tomaremos nossos tamborins, como fez Miriam, a cantaremos e dançaremos na presença do Cordeiro. Ação de graças haverá em nossos lábios, quando o cosmos inteiro for visto como sacramento eucarístico, e Deus for tudo em todos (1 Co.15:28).

Fonte: Danilo Fernandes / Genizah / Profetico

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