Globo x Record

Nos últimos dias, a mídia tem focado um tema que foge um pouco do cardápio da Pizzaria SF (Senado Federal). A bola da vez agora é a guerra pelo poder de manter os telespectadores reféns de uma programação cada vez mais pobre, culturalmente falando. As protagonistas são a todo-poderosa Globo, da família Marinho, e a abençoada Record, do bispo Edir Macedo.

A teologia da prosperidade, pregada por Edir Macedo e seus discípulos, tem mostrado força no campo televisivo. A antes adversária da Globo – o SBT, de Silvio Santos – nem faz mais cócegas. O perigo sempre crescente tem outro nome: Record. No último dia 11, o Jornal Nacional, sob o comando de Willian Bonner e Fátima Bernardes, exibiu 10 minutos de denúncias contra Edir Macedo, a Igreja Universal e a Rede Record (uma verdadeira trindade).

Não foram, ao meu ver, simples denúncias, foram golpes de vale-tudo. Tem-se questionado muito se tais ataques (com procedência ou não) foram motivados pelo senso moral ou se há uma manobra para tentar minorar o avanço da Record. Desde então, a Globo tem dado um “soco” e tomado dois. Ela ataca à noite e a outra revida pela manhã.

Não defendo nenhuma, nem outra. No domingo (16), a Record preparou um programa inteiro para mostrar o lado negro da Globo. O Repórter Record (uma cópia do Globo Repórter), sob o comando de Marcos Hummel, levou a concorrente a nocaute, mostrando documentos, citando nomes, datas e lugares. O mais impressionante em tudo isso é que a emissora do bispo não se preocupou em se defender, mas em atacar. Não conseguiram, com isso, limpar o seu quintal; apenas mostrar que o quintal do vizinho também está sujo.

Duas grandes emissoras. Duas gigantes no campo da comunicação. Investimentos milionários. Seria tudo isso um teste de fé? Fé em quê ou em quem? Fé na imparcialidade da Globo – algo que não existe – no seu papel de comunicadora? Ou seria a fé na Record, cujo dono se diz representante de Deus? Não é apenas a religião institucionalizada que gera cegueira mental, a mídia quando nas mãos de pessoas inescrupulosas também cega. De onde saem as baixas nessa guerra?

Do lado de cá; do nosso lado. Somos nós os que perdem com essa luta frenética por audiência a todo custo. A pobreza cultural propagada pela televisão (não só a brasileira, mas especialmente ela) mantém as pessoas numa redoma de desconhecimento do que verdadeiramente é cultura. Dizer nos dias atuais “que vença a melhor”, é relativo e já não tem mais a mesma força.

Num País onde impera a corrupção em todos os segmentos (inclui-se aqui o religioso), não basta ser o melhor. Muitas vezes, nem é o melhor quem vence, mas quem tem o poder de manipular as massas. O cantor e compositor Zé Ramalho usou sabiamente as palavras para mostrar a condição do povo brasileiro. Notem como as palavras parecem fruto de uma inspiração sólida e atual.

“Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer
Êh, oô, vida de gado
Povo marcado
Êh,… [e ainda assim]* … povo feliz!”

Fonte: / Profetico